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domingo, 15 de julho de 2018

CONHECE A COLEÇÃO SAMBAS ESCRITOS - VOZES E MEMÓRIAS DO SAMBA?!

Organizada pela escritora Carmen Faustino e pelas jornalistas Maitê Freitas e Patrícia Costa Vaz, a Coleção Sambas Escritos apresenta, em quatro volumes, textos que variam entre poesias, ensaios, crônicas e artigos sobre as tradições do samba no Brasil.
Os quatro volumes: Desde que o samba é Sampa (vol. 1), Sambas e dissembas (vol. 2), Massembas de ialodês (vol. 3) e Samba em primeira pessoa (vol. 4) reúnem ao todo 84 autores de diferentes regiões do país para refletir sobre a importância cultural, social e política do samba.
A Coleção é uma ação do projeto multimídia Samba Sampa, idealizado pela jornalista Maitê Freitas, que vem desde 2012 coletando material e realizando atividades de registro das rodas de samba de São Paulo. A distribuição, comercialização e edição da Coleção conta com a parceria da Pólen Livros
Sambas Escritos foi contemplado pelo Programa VAI da Secretaria Municipal de Cultura (2017) e realizou, além das publicações, rodas de samba-conversação e oficinas de canto e escrita para mulheres negras.
A coleção está disponível no site da Pólen Livros, com frete grátis! ❤️



segunda-feira, 10 de abril de 2017

POESIA DE UMA TARDE DE DOMINGO...



Domingo à tarde
Homens esparramados no sofá
Lambem os beiços de azeitonas e futebol
Gozando seu merecido dia de folga
Jogada com hora certa para acabar

Crianças lambuzadas de doce
Cadenciam a bola
No gramado de asfalto
E disputam o céu com cerol
Aparando sonhos e poucas nuvens

E as mulheres?
As mulheres suadas cheiram café
E estendem roupas no varal
Com desejo de beijos quentes
Línguas úmidas que toquem o céu
E mãos que invadam seu quintal

Provocando intenso orgasmo
De fazer esquecer
O cheiro de gordura e sabão
O pouco afeto
E a rotina solidão...

Delírios de queimar o cotidiano
Lavar a alma
E entardecer
Junto aos raios do sol...


CARMEN FAUSTINO

terça-feira, 4 de abril de 2017

MULHERES NEGRAS INDICAM LIVROS PARA SE EMPODERAR - NA OLGA

Mulheres negras indicam livros para se empoderar - Na Olga
Mel Duarte – poeta, slammer e produtora cultural
Livro: Pretextos de mulheres negra
Organização: Carmen Faustino e Elizandra Souza

“Esse livro é uma coletânea de literatura marginal negra feminina com 22 autoras. Fazer parte desse processo, pra mim, foi muito enriquecedor. As meninas fizeram tudo com muito capricho e zelo, o que normalmente não acontece em coletâneas. As fotos das autoras foram tiradas durante um encontro em um parque, onde tivemos chance de conversar, falar um pouco de nós e vivenciar um dia diferente. Antes de fazer parte da publicação, não tinha poemas voltados apenas para a mulher negra, ainda estava num processo de entender o quê e como gostaria de falar sobre mim, sobre nós. Depois de lê-lo e ver tantas biografias incríveis assim como os poemas dessas mulheres, entendi o meu tom e compreendi a necessidade de ter poemas com esse recorte. Esse é daqueles livros que vale a pena presentear meninas que ainda estão passando por esse processo de entendimento da sua ancestralidade, aceitando o próprio corpo e cabelo. Perdi a conta de quantos dei de presente para amigas e familiares e de quantos retornos positivos tive a respeito do mesmo, por mulheres de diferentes idades e realidades. Pra mim, é um título importante porque é um marco da nossa geração e pela beleza que tem. A parte visual – linda – é feita pela artista Renata Felinto.”



quinta-feira, 9 de março de 2017

8 DE MARÇO - SAIA

Ontem foi 8 de março.
Para mim, para as manas...
SAIA
Se para você
Minha saia 
Está sempre curta
Vulgar ou justa
Não se preocupe com isso
Saia de perto de mim
E tenha a certeza
Não será contigo
Que andarei na rua...

Meu decote
Não é medida
Para justificar o horror 
Que assombra os corpos
E mata os sonhos
Daquelas que nunca dormem 
Não tem água salgada
Que cure essa ferida aberta

Sempre em alerta
Posso ser a próxima
Vítima dessa cegueira
Rotina de mulheres mortas

Me deixe em paz
Não se aproxime
Minha pouca saia
É medida de luta
Movimenta afeto
E não roda sozinha

Se ameaçada
Saia curta e fina
Vira navalha
Corta na carne
E vê sangrar
Até esvair a dor
Silêncio ensurdecedor

A fenda do peito
Que alimenta 
Fome e orgasmo
Vira buraco sem fundo
Sufoca sua opressão
E esse ódio 
Das mulheres no mundo

E não venha
Me julgar louca
Dizer que minha dor
É coisa pouca
Minha saia é o limite
Para pernas livres
E a blusa colada
Não cabe mais 
Em um corpo calado

É imensidão
Eu a transbordar...

Meu caminhar
Tem passos largos
Não mede esforços
Para o tamanho 
Do meu desejo de mulher sã...

E outra certeza
Não sou a única
Somos muitas!
E isso não é uma ameaça
Já é uma ação!

CARMEN FAUSTINO

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

POEMA - CONTRATEMPO

No meu relógio
O atraso não é
Sério problema 
Ruim é quando nunca chega
Ou nem desperta 
Pois a vida não espera
Adianta à demanda
E joga a missão

Ser mulher negra
Pesa as costas
Dói no corpo
E sem o devido cuidado
Faz dureza na alma
E esvazia o coração
Solidão...

Na contramão
Despertar o conhecimento
É direito e reparação
Viver o afeto de olhos abertos
Fertiliza a terra seca
E o caminhar das pretas
É força ancestral que cura

Não quero mais salgar na dor
Quero escorrer livre para terra
E fertilizar esse chão
Abençoado por deusas
Pisado com força
Resistência
Para que hoje
Eu pudesse estar aqui

Pergunte ao tempo
E a verdadeira história 
O que aconteceu comigo
Conte os dias
Mas não aguarde sentado
Será como nunca visto antes...

Eu terei fim
A luta não! 

CARMEN FAUSTINO

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Poesia - Sem culpa

Nessa confusão
De crenças rasas
E pouca empatia
Os corações
Batem cada vez mais lento
Pulsando só para manter vivo
O surdo melancólico do peito
Cansado de alimentar
Fomes vazias
Sedes sombrias
E punhos cansados
Os risos apáticos
E as mentes com dor
Não provocam mais euforia
É a inércia da alma
Nem alvoroçada
Nem calma
Não quero
Esse frio é quase morrer
Não sossega
Nem aquece o sono
Que revigora a vida
Olho o espelho
E vejo desejo
De amor e autonomia
Viver 
E poder mergulhar 
Inteira nas emoções 
Sem sentir culpa
Por ainda acreditar
Nos olhares e afagos sinceros...

CARMEN FAUSTINO