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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

PODER


O que se foi
Não me deve nada
Me suporto
Todos dias
Para não minguar
Ilusões
Em pequenos
Poderes

Meu prazer
É transe
Explosão de sabores
Me basto
Me banho
Me gosto

E se gozo
É para contemplar
Meus sonhos
E preencher meus
Misteriosos espaços...


sábado, 11 de novembro de 2017

III CONGRESSO - ESCRITORES DA PERIFERIA DE SÃO PAULO

Como nasce uma autora negra na periferia? Quais as suas motivações, inquietações e referências literárias? Quais os desafios que o mercado editorial impõe para as autoras negras? Como está o cenário das mulheres negras no processo de edição, diagramação, publicação e distribuição? No contexto político atual, quais temas são disparadores para o processo de criação de novas obras? 

Na terceira mesa do III Congresso Escritores da Periferia de São Paulo, vamos trocar uma ideia com a autora Miriam Alves e a poeta, escritora e editora Carmen Faustino sobre a cena literária protagonizada por mulheres negras nas periferias. A medição desse importante bate papo será realizada pela escritora Lids Sikeleli .

‎III CONGRESSO - ESCRITORES DE PERIFERIA DE SÃO PAULO

Compartilhando suas experiências na literatura e em coletivos culturais que fomentam o protagonismo da mulher negra, Carmen Faustino participa da mesa sobre autoras contemporâneas no III Congresso Escritores da Periferia de São Paulo. 

Além de poeta e escritora, Carmen também é arte-educadora, articuladora cultural, pesquisadora e ativista em São Paulo. Possui formação em Letras, especialização em História da África e cultura Afro Brasileira e atua há 10 anos nas áreas da educação, social e cultural. É uma das idealizadoras e articuladora do Núcleo Mulheres Negras - O amor cura, de vivências coletiva e discussões sobre raça e gênero, coordena o projeto Baobá – 
Fortificando as raízes, de formações sobre África e Africanidades e desenvolve oficinas de Literárias com foco na escrita negra e feminina.

A mesa de debate "A contribuição de autoras contemporâneas para a difusão da literatura negra do Brasil" acontece às 17h15, no dia 18/11.





segunda-feira, 21 de agosto de 2017

POESIA - SANKOFA


Veja bem senhor
É preciso respeito
Valorizar o que veio 
Antes de você
Aceite
Eu vim antes de você
Não é idade
Nem data no papel
Minha voz
Ecoa séculos ancestrais
O despertar de um mundo
Profundo e complexo
História de aprender
Ensinando
É legado de fé
Imensidão de luz
Que não cabe
Na palidez
Do seu caderno
Entenda
Sankofa
Não é enfeite
Respeite!
CARMEN FAUSTINO

segunda-feira, 10 de abril de 2017

POESIA DE UMA TARDE DE DOMINGO...



Domingo à tarde
Homens esparramados no sofá
Lambem os beiços de azeitonas e futebol
Gozando seu merecido dia de folga
Jogada com hora certa para acabar

Crianças lambuzadas de doce
Cadenciam a bola
No gramado de asfalto
E disputam o céu com cerol
Aparando sonhos e poucas nuvens

E as mulheres?
As mulheres suadas cheiram café
E estendem roupas no varal
Com desejo de beijos quentes
Línguas úmidas que toquem o céu
E mãos que invadam seu quintal

Provocando intenso orgasmo
De fazer esquecer
O cheiro de gordura e sabão
O pouco afeto
E a rotina solidão...

Delírios de queimar o cotidiano
Lavar a alma
E entardecer
Junto aos raios do sol...


CARMEN FAUSTINO

quinta-feira, 9 de março de 2017

8 DE MARÇO - SAIA

Ontem foi 8 de março.
Para mim, para as manas...
SAIA
Se para você
Minha saia 
Está sempre curta
Vulgar ou justa
Não se preocupe com isso
Saia de perto de mim
E tenha a certeza
Não será contigo
Que andarei na rua...

Meu decote
Não é medida
Para justificar o horror 
Que assombra os corpos
E mata os sonhos
Daquelas que nunca dormem 
Não tem água salgada
Que cure essa ferida aberta

Sempre em alerta
Posso ser a próxima
Vítima dessa cegueira
Rotina de mulheres mortas

Me deixe em paz
Não se aproxime
Minha pouca saia
É medida de luta
Movimenta afeto
E não roda sozinha

Se ameaçada
Saia curta e fina
Vira navalha
Corta na carne
E vê sangrar
Até esvair a dor
Silêncio ensurdecedor

A fenda do peito
Que alimenta 
Fome e orgasmo
Vira buraco sem fundo
Sufoca sua opressão
E esse ódio 
Das mulheres no mundo

E não venha
Me julgar louca
Dizer que minha dor
É coisa pouca
Minha saia é o limite
Para pernas livres
E a blusa colada
Não cabe mais 
Em um corpo calado

É imensidão
Eu a transbordar...

Meu caminhar
Tem passos largos
Não mede esforços
Para o tamanho 
Do meu desejo de mulher sã...

E outra certeza
Não sou a única
Somos muitas!
E isso não é uma ameaça
Já é uma ação!

CARMEN FAUSTINO

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

VIDA DOMÉSTICA

Viola Davis em Histórias Cruzadas (2011)


Ela tem sua vida
Sufocada dentro de um quartinho
Que de tão pequeno
Acomoda perfeitamente
Seus poucos sonhos

Um ventilador ruído
De arejar o calor da labuta
Um perfume importado
De cheirar uma vez no ano
Uma carência pouca
Para que passe menos fome
Um quadro na parede
Dos filhos
Das irmãs
De uma mulher
De um homem...

Sua rotina 
Cabe em estreitos metrôs quadrados
No pouco espaço
Um vaso de pimenta
Outro sanitário
Água de privada 
E de manjericão
Ardor de naftalina
odor do suor...

E entre o cheiro do serviço
E a presença da sua raiz
A força do seu sorriso 
Traz acalanto
Mas não cura as dores 
De uma história roubada...

CARMEN FAUSTINO







terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Poesia - Sem culpa

Nessa confusão
De crenças rasas
E pouca empatia
Os corações
Batem cada vez mais lento
Pulsando só para manter vivo
O surdo melancólico do peito
Cansado de alimentar
Fomes vazias
Sedes sombrias
E punhos cansados
Os risos apáticos
E as mentes com dor
Não provocam mais euforia
É a inércia da alma
Nem alvoroçada
Nem calma
Não quero
Esse frio é quase morrer
Não sossega
Nem aquece o sono
Que revigora a vida
Olho o espelho
E vejo desejo
De amor e autonomia
Viver 
E poder mergulhar 
Inteira nas emoções 
Sem sentir culpa
Por ainda acreditar
Nos olhares e afagos sinceros...

CARMEN FAUSTINO