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quarta-feira, 16 de junho de 2021

Oficina - Estado de Libido: erótico e poder na escrita feminina


Erótico é sobre poder

As escritoras Carmen Faustino e Dandara Suburbana te convidam a entrar em Estado de Libido trazendo o erótico como poder na escrita feminina. Serão três horas de oficina de escrita criativa em torno do tema para despertar o tesão em criar narrativas que nos fortaleçam na autonomia dos nossos desejos.

Temas provocados:
O que é erótico?
Onde guardo meu erótico?
Quais narrativas eróticas eu protagonizo?
Onde estão minhas memórias de afeto e prazer?
O processo do escrever como fonte e caminho do prazer: escrevo para gozar/gozo para escrever
Sobre as mediadoras:
@carmen_faustino é poeta, escritora, autora de Estado de Libido e org. da coletânea Ser Prazeres: Transbordações eróticas de mulheres negras, ambas pela @oralituraseditora
@adandarasuburbana é de Xangô, escritora, historiadora e idealizadora da @atarepalavraterapia Co-autora de Ser Prazeres e Cadernos Negros v. 43.
Temos pouquíssimas vagas!
Oficina - Estado de Libido: erótico e poder na escrita feminina
🗓 26.06.2021 - sábado
⏰ das 16h às 19h
Valor: 80 reais
Vamos?! 🔥

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

POEMA

*Fé no espelho

Do alto da cachoeira
Onde tudo desmorona
Sangra e machuca
E as dores se mostram
Geladas e nuas
Bote fé no espelho
E nunca se esqueça
Mulher Preta
Não é doença
É o ouro
É o futuro
É a benção

* De Estado de Libido ou poesias de prazer e cura

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Poesia - Estado de Libido

O que se foi
Não me deve nada
Me suporto
Todos dias
Para não minguar Ilusão
Em pequenos
Poderes

Meu prazer
É transe
Explosão de sabores
Não atende ao modelo

Me basto
Me toco
Me gosto

E se gozo
É para preencher
Meus sonhos
E contemplar meus
Misteriosos espaços

*Do meu livro Estado de Libido ou poesias de prazer e cura, link para compra: http://oralituras.com.br/produtos/estado-de-libido-ou-poesias-de-prazer-e-cura/  📚💛


terça-feira, 15 de setembro de 2020

Depois de um tempo longe aqui...voltei e tem livro novo!

Carmen Faustino (@carmen_faustino) enaltece o erótico em seu primeiro livro de poesia.

"Estado de Libido ou poesias de prazer e cura" é uma coletânea que oferece mais do que o universo erótico e nos convida à reflexões sobre afeto, intimidade, prazer, autocuidado, descobertas e curas, a partir da feminilidade da mulher negra.

Estado de Libido ou poesias de prazer e cura já está disponível no site da  Oralituras Editora (@oralituraseditora) da parceira e também potência Maitê Freitas (@maitemporina)!



 

sexta-feira, 8 de março de 2019

SAMBA EM PRIMEIRA PESSOA É...


Ler e escrever
As narrativas reais
Dos espelhos
Que vejo
E sou

No quintal
Ou no palco
Ecoar a beleza
Do canto livre
Na voz
De minhas ancestrais

E pisar forte
Nesse chão
Para acordar o silêncio
E reacender as memórias
Do meu corpo embarcação...

Um templo sagrado
Terreiro de bambas
Que pouco descansa
Mas enquanto luta...
Também canta
Também Samba!

Crédito: Isabela Alves




domingo, 15 de julho de 2018

CONHECE A COLEÇÃO SAMBAS ESCRITOS - VOZES E MEMÓRIAS DO SAMBA?!

Organizada pela escritora Carmen Faustino e pelas jornalistas Maitê Freitas e Patrícia Costa Vaz, a Coleção Sambas Escritos apresenta, em quatro volumes, textos que variam entre poesias, ensaios, crônicas e artigos sobre as tradições do samba no Brasil.
Os quatro volumes: Desde que o samba é Sampa (vol. 1), Sambas e dissembas (vol. 2), Massembas de ialodês (vol. 3) e Samba em primeira pessoa (vol. 4) reúnem ao todo 84 autores de diferentes regiões do país para refletir sobre a importância cultural, social e política do samba.
A Coleção é uma ação do projeto multimídia Samba Sampa, idealizado pela jornalista Maitê Freitas, que vem desde 2012 coletando material e realizando atividades de registro das rodas de samba de São Paulo. A distribuição, comercialização e edição da Coleção conta com a parceria da Pólen Livros
Sambas Escritos foi contemplado pelo Programa VAI da Secretaria Municipal de Cultura (2017) e realizou, além das publicações, rodas de samba-conversação e oficinas de canto e escrita para mulheres negras.
A coleção está disponível no site da Pólen Livros, com frete grátis! ❤️



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

APENAS REPEITO - POESIA NOVA!

Eu não ajeito
Meu cabelo
Para você 
Me achar menos Preta
E esquecer meus feitos

Eu ajeito meu cabelo
Para firmar no peito
De onde eu vim
E curar as dores
De negação e medo

Alisar meu crespo
Só se for
De liberdade e amor
Ele não tem defeito!

Tranquilo e refeito
Quero meu crespo
Voando sem receio
Em paz com a história
E o olhar no espelho

Desejo também
Que um dia
Esse cruel efeito
De andar na rua
Com belos crespos
E ainda atrair olhares
De espanto e desprezo
Chegue ao fim
E se torne
Apenas respeito!

#literaturanegrafeminina
#autocuidado
#terapiapoética



sábado, 11 de novembro de 2017

III CONGRESSO - ESCRITORES DA PERIFERIA DE SÃO PAULO

Como nasce uma autora negra na periferia? Quais as suas motivações, inquietações e referências literárias? Quais os desafios que o mercado editorial impõe para as autoras negras? Como está o cenário das mulheres negras no processo de edição, diagramação, publicação e distribuição? No contexto político atual, quais temas são disparadores para o processo de criação de novas obras? 

Na terceira mesa do III Congresso Escritores da Periferia de São Paulo, vamos trocar uma ideia com a autora Miriam Alves e a poeta, escritora e editora Carmen Faustino sobre a cena literária protagonizada por mulheres negras nas periferias. A medição desse importante bate papo será realizada pela escritora Lids Sikeleli .

‎III CONGRESSO - ESCRITORES DE PERIFERIA DE SÃO PAULO

Compartilhando suas experiências na literatura e em coletivos culturais que fomentam o protagonismo da mulher negra, Carmen Faustino participa da mesa sobre autoras contemporâneas no III Congresso Escritores da Periferia de São Paulo. 

Além de poeta e escritora, Carmen também é arte-educadora, articuladora cultural, pesquisadora e ativista em São Paulo. Possui formação em Letras, especialização em História da África e cultura Afro Brasileira e atua há 10 anos nas áreas da educação, social e cultural. É uma das idealizadoras e articuladora do Núcleo Mulheres Negras - O amor cura, de vivências coletiva e discussões sobre raça e gênero, coordena o projeto Baobá – 
Fortificando as raízes, de formações sobre África e Africanidades e desenvolve oficinas de Literárias com foco na escrita negra e feminina.

A mesa de debate "A contribuição de autoras contemporâneas para a difusão da literatura negra do Brasil" acontece às 17h15, no dia 18/11.





segunda-feira, 21 de agosto de 2017

POESIA - SANKOFA


Veja bem senhor
É preciso respeito
Valorizar o que veio 
Antes de você
Aceite
Eu vim antes de você
Não é idade
Nem data no papel
Minha voz
Ecoa séculos ancestrais
O despertar de um mundo
Profundo e complexo
História de aprender
Ensinando
É legado de fé
Imensidão de luz
Que não cabe
Na palidez
Do seu caderno
Entenda
Sankofa
Não é enfeite
Respeite!
CARMEN FAUSTINO

terça-feira, 30 de maio de 2017

POESIA - ROTINA

imagem da internet
Depois do amor gostoso
O desejo é deitar em seu peito
E adormecer lentamente
Sentindo
O cheirinho tesão da vitória

Parar no tempo
E esquecer
O horário apertado
O trabalho para fazer
A conta para pagar
A louça para lavar...

Satisfação de quem venceu
A tensão, o conflito
E suou
Para chegar ao fim da corrida

Mas,
Para não perder a medalha
E o gostinho sacana da sua largada
Desperto satisfeita e preguiçosa
Deixo a água escorrer o prazer
Pelo ralo do banheiro

Sem dizer adeus ou até logo
Sincera
Retorno feliz 
Meu porto seguro espera 
Firme e intenso
E com ele
A rotina
Da afetividade construída
Das crises consentidas 
O trabalho para fazer
A louça para lavar
A conta para pagar...

CARMEN FAUSTINO

segunda-feira, 10 de abril de 2017

POESIA DE UMA TARDE DE DOMINGO...



Domingo à tarde
Homens esparramados no sofá
Lambem os beiços de azeitonas e futebol
Gozando seu merecido dia de folga
Jogada com hora certa para acabar

Crianças lambuzadas de doce
Cadenciam a bola
No gramado de asfalto
E disputam o céu com cerol
Aparando sonhos e poucas nuvens

E as mulheres?
As mulheres suadas cheiram café
E estendem roupas no varal
Com desejo de beijos quentes
Línguas úmidas que toquem o céu
E mãos que invadam seu quintal

Provocando intenso orgasmo
De fazer esquecer
O cheiro de gordura e sabão
O pouco afeto
E a rotina solidão...

Delírios de queimar o cotidiano
Lavar a alma
E entardecer
Junto aos raios do sol...


CARMEN FAUSTINO

terça-feira, 4 de abril de 2017

MULHERES NEGRAS INDICAM LIVROS PARA SE EMPODERAR - NA OLGA

Mulheres negras indicam livros para se empoderar - Na Olga
Mel Duarte – poeta, slammer e produtora cultural
Livro: Pretextos de mulheres negra
Organização: Carmen Faustino e Elizandra Souza

“Esse livro é uma coletânea de literatura marginal negra feminina com 22 autoras. Fazer parte desse processo, pra mim, foi muito enriquecedor. As meninas fizeram tudo com muito capricho e zelo, o que normalmente não acontece em coletâneas. As fotos das autoras foram tiradas durante um encontro em um parque, onde tivemos chance de conversar, falar um pouco de nós e vivenciar um dia diferente. Antes de fazer parte da publicação, não tinha poemas voltados apenas para a mulher negra, ainda estava num processo de entender o quê e como gostaria de falar sobre mim, sobre nós. Depois de lê-lo e ver tantas biografias incríveis assim como os poemas dessas mulheres, entendi o meu tom e compreendi a necessidade de ter poemas com esse recorte. Esse é daqueles livros que vale a pena presentear meninas que ainda estão passando por esse processo de entendimento da sua ancestralidade, aceitando o próprio corpo e cabelo. Perdi a conta de quantos dei de presente para amigas e familiares e de quantos retornos positivos tive a respeito do mesmo, por mulheres de diferentes idades e realidades. Pra mim, é um título importante porque é um marco da nossa geração e pela beleza que tem. A parte visual – linda – é feita pela artista Renata Felinto.”



quinta-feira, 9 de março de 2017

8 DE MARÇO - SAIA

Ontem foi 8 de março.
Para mim, para as manas...
SAIA
Se para você
Minha saia 
Está sempre curta
Vulgar ou justa
Não se preocupe com isso
Saia de perto de mim
E tenha a certeza
Não será contigo
Que andarei na rua...

Meu decote
Não é medida
Para justificar o horror 
Que assombra os corpos
E mata os sonhos
Daquelas que nunca dormem 
Não tem água salgada
Que cure essa ferida aberta

Sempre em alerta
Posso ser a próxima
Vítima dessa cegueira
Rotina de mulheres mortas

Me deixe em paz
Não se aproxime
Minha pouca saia
É medida de luta
Movimenta afeto
E não roda sozinha

Se ameaçada
Saia curta e fina
Vira navalha
Corta na carne
E vê sangrar
Até esvair a dor
Silêncio ensurdecedor

A fenda do peito
Que alimenta 
Fome e orgasmo
Vira buraco sem fundo
Sufoca sua opressão
E esse ódio 
Das mulheres no mundo

E não venha
Me julgar louca
Dizer que minha dor
É coisa pouca
Minha saia é o limite
Para pernas livres
E a blusa colada
Não cabe mais 
Em um corpo calado

É imensidão
Eu a transbordar...

Meu caminhar
Tem passos largos
Não mede esforços
Para o tamanho 
Do meu desejo de mulher sã...

E outra certeza
Não sou a única
Somos muitas!
E isso não é uma ameaça
Já é uma ação!

CARMEN FAUSTINO

ENTREVISTA: CARMEN FAUSTINO - PERSONAGEM RESTAURATIVO

Ontem foi 8 de março.
Para mim, para as manas...
Eu, em uma entrevista para o CDHEP - Centro de Direitos Humanos e Educação Popular, falando um pouco sobre o Núcleo Mulheres Negras e toda sua potência em transformar angústias em amor, auto cuidado e cura.
Pois luta também é afeto e cuidado...
Segue o link para leitura!









quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

VIDA DOMÉSTICA

Viola Davis em Histórias Cruzadas (2011)


Ela tem sua vida
Sufocada dentro de um quartinho
Que de tão pequeno
Acomoda perfeitamente
Seus poucos sonhos

Um ventilador ruído
De arejar o calor da labuta
Um perfume importado
De cheirar uma vez no ano
Uma carência pouca
Para que passe menos fome
Um quadro na parede
Dos filhos
Das irmãs
De uma mulher
De um homem...

Sua rotina 
Cabe em estreitos metrôs quadrados
No pouco espaço
Um vaso de pimenta
Outro sanitário
Água de privada 
E de manjericão
Ardor de naftalina
odor do suor...

E entre o cheiro do serviço
E a presença da sua raiz
A força do seu sorriso 
Traz acalanto
Mas não cura as dores 
De uma história roubada...

CARMEN FAUSTINO