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sexta-feira, 8 de março de 2019

SAMBA EM PRIMEIRA PESSOA É...


Ler e escrever
As narrativas reais
Dos espelhos
Que vejo
E sou

No quintal
Ou no palco
Ecoar a beleza
Do canto livre
Na voz
De minhas ancestrais

E pisar forte
Nesse chão
Para acordar o silêncio
E reacender as memórias
Do meu corpo embarcação...

Um templo sagrado
Terreiro de bambas
Que pouco descansa
Mas enquanto luta...
Também canta
Também Samba!

Crédito: Isabela Alves




sábado, 11 de novembro de 2017

III CONGRESSO - ESCRITORES DA PERIFERIA DE SÃO PAULO

Como nasce uma autora negra na periferia? Quais as suas motivações, inquietações e referências literárias? Quais os desafios que o mercado editorial impõe para as autoras negras? Como está o cenário das mulheres negras no processo de edição, diagramação, publicação e distribuição? No contexto político atual, quais temas são disparadores para o processo de criação de novas obras? 

Na terceira mesa do III Congresso Escritores da Periferia de São Paulo, vamos trocar uma ideia com a autora Miriam Alves e a poeta, escritora e editora Carmen Faustino sobre a cena literária protagonizada por mulheres negras nas periferias. A medição desse importante bate papo será realizada pela escritora Lids Sikeleli .

‎III CONGRESSO - ESCRITORES DE PERIFERIA DE SÃO PAULO

Compartilhando suas experiências na literatura e em coletivos culturais que fomentam o protagonismo da mulher negra, Carmen Faustino participa da mesa sobre autoras contemporâneas no III Congresso Escritores da Periferia de São Paulo. 

Além de poeta e escritora, Carmen também é arte-educadora, articuladora cultural, pesquisadora e ativista em São Paulo. Possui formação em Letras, especialização em História da África e cultura Afro Brasileira e atua há 10 anos nas áreas da educação, social e cultural. É uma das idealizadoras e articuladora do Núcleo Mulheres Negras - O amor cura, de vivências coletiva e discussões sobre raça e gênero, coordena o projeto Baobá – 
Fortificando as raízes, de formações sobre África e Africanidades e desenvolve oficinas de Literárias com foco na escrita negra e feminina.

A mesa de debate "A contribuição de autoras contemporâneas para a difusão da literatura negra do Brasil" acontece às 17h15, no dia 18/11.





terça-feira, 13 de junho de 2017

POESIA CADÊNCIA

No dia do Santo casamenteiro, pós dia dos namorados...poesia erótica pode né?! 😎



CADÊNCIA

Como quem faz samba
No prato e na ponta do garfo
Você segura firme
A sensível porcelana
Molhada e brilhante
Cor vibrante

Com trato
Acaricia a peça preciosa
E encosta levemente o ouvido
Quer sentir conforto
Ao ouvir a batucada
E o agudo do meu gemido
Aflito para chegar ao fim desse ritmo

Energia que acolhe todo o corpo
Para que nele só vibre tesão
No mesmo ritmo
Do seu surdo coração...

Carmen Faustino

#literaturanegrafeminina
#mulheresnegrasescrevem
#poesiaerotica
#amorpreto

terça-feira, 30 de maio de 2017

POESIA - ROTINA

imagem da internet
Depois do amor gostoso
O desejo é deitar em seu peito
E adormecer lentamente
Sentindo
O cheirinho tesão da vitória

Parar no tempo
E esquecer
O horário apertado
O trabalho para fazer
A conta para pagar
A louça para lavar...

Satisfação de quem venceu
A tensão, o conflito
E suou
Para chegar ao fim da corrida

Mas,
Para não perder a medalha
E o gostinho sacana da sua largada
Desperto satisfeita e preguiçosa
Deixo a água escorrer o prazer
Pelo ralo do banheiro

Sem dizer adeus ou até logo
Sincera
Retorno feliz 
Meu porto seguro espera 
Firme e intenso
E com ele
A rotina
Da afetividade construída
Das crises consentidas 
O trabalho para fazer
A louça para lavar
A conta para pagar...

CARMEN FAUSTINO

segunda-feira, 10 de abril de 2017

POESIA DE UMA TARDE DE DOMINGO...



Domingo à tarde
Homens esparramados no sofá
Lambem os beiços de azeitonas e futebol
Gozando seu merecido dia de folga
Jogada com hora certa para acabar

Crianças lambuzadas de doce
Cadenciam a bola
No gramado de asfalto
E disputam o céu com cerol
Aparando sonhos e poucas nuvens

E as mulheres?
As mulheres suadas cheiram café
E estendem roupas no varal
Com desejo de beijos quentes
Línguas úmidas que toquem o céu
E mãos que invadam seu quintal

Provocando intenso orgasmo
De fazer esquecer
O cheiro de gordura e sabão
O pouco afeto
E a rotina solidão...

Delírios de queimar o cotidiano
Lavar a alma
E entardecer
Junto aos raios do sol...


CARMEN FAUSTINO

terça-feira, 4 de abril de 2017

MULHERES NEGRAS INDICAM LIVROS PARA SE EMPODERAR - NA OLGA

Mulheres negras indicam livros para se empoderar - Na Olga
Mel Duarte – poeta, slammer e produtora cultural
Livro: Pretextos de mulheres negra
Organização: Carmen Faustino e Elizandra Souza

“Esse livro é uma coletânea de literatura marginal negra feminina com 22 autoras. Fazer parte desse processo, pra mim, foi muito enriquecedor. As meninas fizeram tudo com muito capricho e zelo, o que normalmente não acontece em coletâneas. As fotos das autoras foram tiradas durante um encontro em um parque, onde tivemos chance de conversar, falar um pouco de nós e vivenciar um dia diferente. Antes de fazer parte da publicação, não tinha poemas voltados apenas para a mulher negra, ainda estava num processo de entender o quê e como gostaria de falar sobre mim, sobre nós. Depois de lê-lo e ver tantas biografias incríveis assim como os poemas dessas mulheres, entendi o meu tom e compreendi a necessidade de ter poemas com esse recorte. Esse é daqueles livros que vale a pena presentear meninas que ainda estão passando por esse processo de entendimento da sua ancestralidade, aceitando o próprio corpo e cabelo. Perdi a conta de quantos dei de presente para amigas e familiares e de quantos retornos positivos tive a respeito do mesmo, por mulheres de diferentes idades e realidades. Pra mim, é um título importante porque é um marco da nossa geração e pela beleza que tem. A parte visual – linda – é feita pela artista Renata Felinto.”



quinta-feira, 9 de março de 2017

8 DE MARÇO - SAIA

Ontem foi 8 de março.
Para mim, para as manas...
SAIA
Se para você
Minha saia 
Está sempre curta
Vulgar ou justa
Não se preocupe com isso
Saia de perto de mim
E tenha a certeza
Não será contigo
Que andarei na rua...

Meu decote
Não é medida
Para justificar o horror 
Que assombra os corpos
E mata os sonhos
Daquelas que nunca dormem 
Não tem água salgada
Que cure essa ferida aberta

Sempre em alerta
Posso ser a próxima
Vítima dessa cegueira
Rotina de mulheres mortas

Me deixe em paz
Não se aproxime
Minha pouca saia
É medida de luta
Movimenta afeto
E não roda sozinha

Se ameaçada
Saia curta e fina
Vira navalha
Corta na carne
E vê sangrar
Até esvair a dor
Silêncio ensurdecedor

A fenda do peito
Que alimenta 
Fome e orgasmo
Vira buraco sem fundo
Sufoca sua opressão
E esse ódio 
Das mulheres no mundo

E não venha
Me julgar louca
Dizer que minha dor
É coisa pouca
Minha saia é o limite
Para pernas livres
E a blusa colada
Não cabe mais 
Em um corpo calado

É imensidão
Eu a transbordar...

Meu caminhar
Tem passos largos
Não mede esforços
Para o tamanho 
Do meu desejo de mulher sã...

E outra certeza
Não sou a única
Somos muitas!
E isso não é uma ameaça
Já é uma ação!

CARMEN FAUSTINO

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

POEMA - CONTRATEMPO

No meu relógio
O atraso não é
Sério problema 
Ruim é quando nunca chega
Ou nem desperta 
Pois a vida não espera
Adianta à demanda
E joga a missão

Ser mulher negra
Pesa as costas
Dói no corpo
E sem o devido cuidado
Faz dureza na alma
E esvazia o coração
Solidão...

Na contramão
Despertar o conhecimento
É direito e reparação
Viver o afeto de olhos abertos
Fertiliza a terra seca
E o caminhar das pretas
É força ancestral que cura

Não quero mais salgar na dor
Quero escorrer livre para terra
E fertilizar esse chão
Abençoado por deusas
Pisado com força
Resistência
Para que hoje
Eu pudesse estar aqui

Pergunte ao tempo
E a verdadeira história 
O que aconteceu comigo
Conte os dias
Mas não aguarde sentado
Será como nunca visto antes...

Eu terei fim
A luta não! 

CARMEN FAUSTINO

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Poesia - Sem culpa

Nessa confusão
De crenças rasas
E pouca empatia
Os corações
Batem cada vez mais lento
Pulsando só para manter vivo
O surdo melancólico do peito
Cansado de alimentar
Fomes vazias
Sedes sombrias
E punhos cansados
Os risos apáticos
E as mentes com dor
Não provocam mais euforia
É a inércia da alma
Nem alvoroçada
Nem calma
Não quero
Esse frio é quase morrer
Não sossega
Nem aquece o sono
Que revigora a vida
Olho o espelho
E vejo desejo
De amor e autonomia
Viver 
E poder mergulhar 
Inteira nas emoções 
Sem sentir culpa
Por ainda acreditar
Nos olhares e afagos sinceros...

CARMEN FAUSTINO